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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

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GUERREIRO, Sônia Dias Cavalcanti. Paleomagnetismo de rochas vulcânicas do Nordeste do Brasil e a época da abertura do Oceano Atlântico Sul. 1983, 149 f. Tese (Doutorado em Geofísica) - Curso de Pós-Graduação em Ciências Geofísicas e Geológicas, Universidade Federal do Pará, Belém, 1983.

RESUMO

Na primeira parte deste trabalho foram desenvolvidos estudos de magnetismo de rochas e paleomagnetismo em amostras de rochas vulcânicas do Nordeste brasileiro. As idades das amostras compreendem os períodos Jurássico e Cretáceo. Com este objetivo foram amostradas quatro áreas tendo sido estudado um total de 496 amostras em 55 sítios. Para a coleta foi utilizada uma perfuradora portátil que extrai amostras de 2.5 cm de diâmetro. A orientação das amostras foi feita por meio de uma bússola magnética e de um clinômetro. Os espécimes foram submetidos à desmagnetização por campo magnético alternado e em alguns poucos casos foi empregada a desmagnetização térmica. Atribuindo-se peso unitário a cada sítio foi determinada a direção média da magnetização remanescente característica de cada uma das áreas estudadas. As rochas vulcânicas do período Jurássico, localizadas na borda oeste da Bacia do Maranhão (Porto Franco-Estreito), apresentaram uma direção média em que D = 3.9°, I = -17.9° com α95 = 9.3°, K = 17.9, N = 15 e todos os sítios apresentaram polaridade normal. Para esta área foi determinado o pólo paleomagnético de coordenadas 85.3° N, 82.5° E (A95 = 6.9°) que se localiza próximo a outros pólos paleomagnéticos conhecidos para esse período. As rochas da borda leste da Bacia do Maranhão (Teresina-Picos-Floriano) de idade cretácica inferior apresentaram uma direção média de magnetização remanescente característica tal que D = 174.7°, I = +6.0° com α95 = 2.8°, K = 122, N = 21 e todos os sítios apresentaram polaridade reversa. O pólo paleomagnético associado a elas apresentou por coordenadas 83.6° N, 261.0° E (A95 = 1.9°) e mostrou concordância com outros pólos sul americanos de mesma idade. No Rio Grande do Norte foi estudado um enxame de diques toleíticos também de idade cretácica inferior, cuja direção média da magnetização remanescente característica encontrada foi D = 186.6º, I = +20.6°, com α95 = 14.0° e K = 12.9, N = 10. Os sítios desta área apresentaram magnetizações com polaridades normal a reversa. O pólo paleomagnético obtido se localiza em 8.6° N e 94.8° E com A95 = 9.5°. O estudo das rochas vulcânicas da província magmática do Cabo de Santo Agostinho indicou para a região um valor de D = 0.4°, I = -20.6° com α95 = 4.8° e K = 114, N = 9 para a magnetização remanescente característica. Todos os sítios apresentaram polaridade normal e o pólo magnético determinado apresentou as seguintes coordenadas: 87.6° N, 135° E com A95 = 4.5°. Foi discutida a eliminação da variação secular das direções obtidas, de forma que cada pólo apresentado nesta tese é verdadeiramente um pólo paleomagnético. A análise dos minerais magnéticos portadores da remanescência, efetuada por curvas termomagnéticas ou por difração de Raio=X, indicou na maior parte das ocorrências, a presença de titanomagnetita pobre em titânio. A presença de maguemita e algumas vezes hematita, na maior parte das vezes resultado de intemperismo, não anulou a magnetização termoremanente associada à época de formação da rocha, que foi determinada após a aplicação de técnicas de desmagnetização aos espécimes. Pelas curvas termomagnéticas obteve-se, para a maioria das amostras, uma temperatura de Curie entre 500 e 600° C. Os casos mais frequentes indicaram a ocorrência de titanomagnetita exsolvida, em que foram observadas a presença de uma fase próxima à magnetita e outra fase rica em titânio, próxima à ilmenita, resultado de oxidação de alta temperatura. A segunda parte do trabalho diz respeito à determinação da época de abertura do oceano Atlântico Sul por meio de dados paleomagnéticos. Entretanto ao invés de se utilizar o procedimento comumente encontrado na literatura, e que se baseia nas curvas de deriva polar aparente de cada continente, foi aplicado um teste estatístico que avalia a probabilidade de determinada posição relativa entre os continentes ser válida ou não, para determinado período em estudo. Assim foi aplicado um teste F a pólos paleomagnéticos da África e da América do Sul, dos períodos Triássico, Jurássico, Cretáceo Inferior e Cretáceo Médio-Superior, tendo sido estudadas situações que reconstituem a posição pré-deriva dos continentes e configurações que simulem um afastamento entre eles. Os resultados dos testes estatísticos indicaram, dentro de uma probabilidade de erro menos de 5%, que a configuração pré-deriva de Martin et al. (1981) é compatível com os dados paleomagnéticos do Triássico, mas apresenta uma diferença significativa para os paleopólos de Jurássico, CretáceoInferior, Cretáceo Médio-Superior. Outras reconstruções pré-deriva testadas apresentaram o mesmo resultado. A comparação entre os pólos paleomagnéticos da América do Sul e da África, segundo uma reconstrução que admite uma pequena abertura entre os continentes, como a proposta por Solatar et al. (1977) para 110 m.a. atrás, indicou que os dados do Triássico não são compatíveis com este afastamento. Por outro lado os paleopólos do Jurássico e do Cretáceo Inferior, embora mais antigos que a data sugerida pela reconstrução, são consistentes com esta separação dentro de uma probabilidade de erro de menos de 5%. Os dados do Cretáceo Médio-Superior se mostraram consistentes com a reconstrução sugerida para 80 m.a. atrás por Francheteau (1973) e que propõe uma separação uma separação maior entre os continentes. Com base na premissa de deslocamentos de blocos continentais rígidos a análise dos resultados obtidos indicou que a América do Sul e África estavam unidas por suas margens continentais opostas no período Triássico e que uma pequena separação entre estes continentes, provavelmente devido à uma ruptura inicial, ocorreu no Jurássico e se manteve, então, aproximadamente estacionária até o início do Cretáceo Inferior. Esta conclusão difere da maior parte dos trabalhos que discutem a abertura do oceano Atlântico Sul. Os dados do Cretáceo Médio- Superior são compatíveis com um afastamento rápido e significativo entre os continentes naquele período.

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